Tudo o Que Sou

Tudo o Que sou, é o que Imito do Melhor do que Quero Ser.

Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

Vício Perigoso

Andava. Acabando por voltar sempre ás mesmas ruas, deserta e serenas, olhava para o chão. Na montra de uma loja encerrada, encontrei-me. Sempre mal-amanhado, como me dizia a avó, por não gostar de ter a roupa toda no sítio certo e por vezes me assemelhar a um vagabundo.
Fiquei ali parado a olhar-me. Naquela minha imagem, penetrei mais fundo, bem para lá do aborrecimento instalado pela solidão. Aí vi, e senti. Senti o aperto, a dor, a falta, por não ela não estar lá.
Mais uma vez, o destino abandonou-me à minha presença, restringindo-me assim dela, e do mundo.
Enquanto me olhava, percebi. Ela era um vício. Um hábito, uma necessidade.

Tinha mesmo que estar ali, sozinho?
Uma lágrima.
A única maneira de acabar com esse vício passava pela distância?
Um aperto mais forte.

Não, estas não eram as perguntas. A pergunta que eu me fazia e que era essencial, já sabia a resposta.
Disponibilizar-me-ia a sofrer de tal modo para o evitar?
Não. Mais uma vez, procurei-a, por todo lado, para acalmar aquela obsessão. Era a minha droga, o meu vício, e não iria abdicar assim dela. Sabia que, apesar de inofensivo, era um vício perigoso. Continuei a acreditar que valia a pena, e nunca duvidei do que representava aquele vício em mim.
Apenas desejava, que houvesse alguém que me visse assim.
E voltei a mim, despertado pelo som duma buzina que irrompeu na zona.

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