Lembras-te de quando nos comparei a um peão? De uma vez que nos magoámos tanto que pensámos que era o fim? Então acreditei mesmo nisso, erradamente, mas só hoje o sei.
Aos poucos o peão parou, perdeu força. Chamei-lhe fim inevitável, convicto de que tudo o que aprendemos e vivemos morria ali, convicto de um novo caminho.
O peão parou. Nós parámos com ele. Ficámos parados no chão, abandonados a nós mesmos. Assim ficou esse ‘Nós’: abandonado. Nesse estado, eu tentava seguir por um caminho paralelo ao teu, onde não tivessemos de nos voltar a cruzar. Tu tentavas o mesmo. Conseguimos fazê-lo, desorientados, mas conseguimos.
E só hoje me apercebo do quão desorientados estávamos.
O peão parado continuava, parado pela memória da mágoa que insistia em permanecer em mim, afixada.
Nada me demovia da ideia de que aquele peão era um jogo que já não estavas preparada para jogar.
Quase nada.
Deixei o peão de parte, recusei-me a jogar mais.
Tentei ultrapassar, outro jogo talvez ajudasse.
Joguei, tentei. Dei por mim. Senti-me subitamente preso e vazio. Não era igual, não era melhor. E num acto de loucura e lucidez, decidi, magoei, e parei.
A saudade era demasiada.
A vontade era demasiada.
O sentimento era demasiado grande.
Peguei no peão, fui ter contigo. Voltámos a lança-lo, juntos. Senti que era aquilo que eu realmente queria. Senti que era aquilo que tu realmente querias.
Sentados de pernas cruzadas, ficamos a ver o peão a girar. A mesma força de outrora. Agora, sabemos que quando perder um pouco que seja dessa força, sei que vamos lá estar os dois juntos sentados para lhe devolver e força que perdeu a sextiplicar, porque foi isso que aprendemos um com o outro, e não só.
Sábado, Julho 25, 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
sem dúvida, o melhor texto.
o destinatário do texto desta vez mudou, e é tudo menos burro :o infelizmente.
<4
tão giro marquito :$
Postar um comentário